Equipe de formação do SmartLab recomenda um exercício para começar

A discussão sobre a Base Nacional Comum Curricular reavivou o tema das competências e habilidades nas escolas. Isso porque o documento normativo, que pode ter sua versão final publicada em novembro, descreve os objetivos de aprendizagem de cada etapa por competências pessoais e sociais, cognitivas e comunicacionais. Comentado no Brasil ao menos desde a criação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), nos anos 1990, o conceito ainda não se vê refletido na prática. Nesse cenário, os encontros de formação docente do SmartLab passaram a contar com cada vez mais questões dos professores sobre como podem pautar suas aulas pelas habilidades que seus alunos precisam desenvolver.

Claudia Maciel, coordenadora da equipe de formação de professores do SmartLab, recomenda um exercício para começar a trabalhar com os estudantes por competências e habilidades: pensar nos objetivos de cada aula. Parece algo elementar, ela explica, mas comumente esse detalhe acaba ficando para trás quando o dia a dia é dominado pelo cumprimento de uma quantidade preestabelecida de conteúdos. “Por algum tempo esse tema esteve próximo das escolas, mas depois esfriou, porque deliberações muito arraigadas, como dar conta do material didático, alcançar metas, aprovar ou reprovar, acabam consumindo muito tempo”, analisa.

Exercício para o professor

“Levamos para as nossas formações de professores do ensino fundamental planos de aula relacionados aos labs 10Monkeys, de matemática, e Elefante Letrado, de leitura, e pedimos para cada professor pensar no objetivo geral e nos objetivos específicos que sustentam cada plano. A ideia é que passem a selecionar exercícios e propostascom a plataforma, o material didático e outros recursosde acordo com o que definiram como objetivo a desenvolver com seus alunos”.

Para Claudia, o trabalho é, sobretudo, reflexivo. “São perguntas para toda vez que o professor estiver preparando sua aula: onde quero chegar, quanto tempo eu tenho e quais estratégias posso adotar?”, recomenda. Ela conta que no começo desse exercício, é comum encontrar dificuldade, mas que o retorno de coordenadores e professores após os encontros de formação continuada tem sido positivo.

Ângelo Costa, do núcleo pedagógico e de conteúdo do SmartLab, avalia que o tema das competências e habilidades está presente na escola, mas ainda pouco sistematizado no ensino fundamental. “Isso se deve ao fato de ser um assunto recente, pouco discutido, e de agora o debate pedagógico vir acompanhado das habilidades para o século 21, que englobam as questões socioemocionais, não curriculares”, afirma. Ele lembra ainda que no Ensino Médio o caminho tem sido um pouco mais intuitivo, porque o Enem tem sua matriz de referência baseada nesse conceito e muitas escolas acabam se pautando pelo exame.

Para Ângelo, é necessário levar o pensamento crítico, a colaboração e a ideia de autogestão da aprendizagem para o aluno desde o ensino fundamental: “Essa é uma maneira de mostrar que aprender não é algo que ele faz apenas na escola e, sim, na vida”, destaca. O pedagogo exemplifica que na área de raciocínio lógico é possível trabalhar o senso crítico usando os jogos do Xmile. Já em linguagem a construção de palavras se mostra eficiente para trabalhar a colaboração entre alunos de realidades diferentes entre si, aguçando também o desenvolvimento da autoconfiança e do autoconhecimento de cada um no grupo.