O que a descoberta de fósseis no Marrocos revela sobre a evolução humana

Bioantropólogo da USP conta que material já era conhecido há décadas e explica técnica usada recentemente por pesquisadores

Por Smartlab

No começo de junho, a revista de divulgação científica Nature publicou o descobrimento de fósseis daqueles que seriam os mais antigos Homo sapiens. Os ossos encontrados no sítio arqueológico de Jabel Irhoud, no oeste do Marrocos, datam de 315 mil anos. A notícia rapidamente se espalhou pelo mundo já que, antes dessa descoberta, as estimativas baseadas em fósseis encontrados na Etiópia eram de que o Homo sapiens teria surgido há até 200 mil anos e evoluído a partir do leste da África. Agora, segundo os pesquisadores do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva de Leipzig (Alemanha), há indícios de que houve uma dispersão dos primeiros humanos modernos por todo o continente bem antes de se espalharem para fora da África.

Neste vídeo do Núcleo de Divulgação Científica da Universidade de São Paulo, Walter Neves, bioantropólogo do Instituto de Biociências da USP, analisa a divulgação da descoberta, explica a técnica utilizada pelos pesquisadores e conta o que a ciência consegue afirmar com base nos fósseis do Marrocos.

Walter Neves explica que:

  1. Os fósseis encontrados no Marrocos possuem algumas características morfológicas semelhantes às dos seres humanos modernos e outras características próximas às de uma espécie antiga, chamada Homo heidelbergensis.

 

  1. Os fósseis de Jabel Irhoud foram encontrados por operários nos anos 1960, mas, como não houve uma escavação controlada, a datação ficou muito difícil e as estimativas variavam entre 40 mil e 160 mil anos.

 

  1. Dessa vez, como a escavação foi feita por cientistas, os pesquisadores conseguiram datar o sedimento onde estavam os fósseis por meio de uma técnica chamada termoluminescência.

 

  1. As camadas de areia têm pequenos grãos de de cristal e a técnica de termoluminescência mede a última vez que um grão de areia de cada camada foi exposto à luz. Este foi o método utilizado pelos pesquisadores para fazer a dataçã dos fósseis.

 

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