5 recursos online sobre a África para aproveitar na escola

Jogos, site de reportagens, vídeos e trabalhos artísticos que ampliam as percepções dos estudantes sobre o continente

Por Camila Ploennes

A lei que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana nas escolas do Brasil já completou 14 anos. E mesmo com o legado evidente dos povos da África na formação do país, quem trabalha no meio educacional ainda pode ter dificuldade de encontrar e selecionar informações e recursos online sobre o continente que vão além dos estereótipos relacionados à pobreza e às consequências de conflitos étnicos, armados e guerras civis. Nos veículos de comunicação de maior alcance, por exemplo, o olhar para as expressões culturais e de inovação dos países africanos não é tão frequente. Mas existem conteúdos educacionais online e gratuitos de qualidade espalhados por aí que podem inspirar debates, projetos e aulas fora da caixa, valorizando uma África efervescente nas diversas áreas do conhecimento. Se você anda sem tempo de procurá-los, pode contar com esta lista para inspirar debates, planos de aula e projetos na escola.

1. Afreaka [site de reportagens e projeto educacional]
Em Gana, o maior HUB de tecnologia e inovação da África. De Burkina Faso, uma bailarina ícone da dança contemporânea viaja pelo mundo. No Mali, a fluidez estética e ecológica das construções de barro. Desde 2012, o projeto Afreaka conta estas e outras histórias com o objetivo de valorizar a diversidade sociocultural africana e promover a educação para a igualdade racial. Além de publicar reportagens inéditas, o Afreaka realiza consultorias e palestras formativas sob demanda para professores e estudantes, pautadas em um material paradidático produzido de forma independente, tanto para o ensino fundamental quanto para o médio. No destaque da foto, está a premiada escritora Chimamanda Ngozi Adichie [foto acima], autora de livros traduzidos no Brasil, como Hibisco roxo, Meio Sol Amarelo e Americanah.

2. TED Talk: “Meu desejo é um Einstein africano” [vídeo]

O físico sul-africano Neil Turok, que trabalhou com Stephen Hawking e há anos se dedica a estudos sobre a origem da Terra, fala neste TED Talk de 2008 sobre seu sonho de que “o próximo Albert Einstein” surja na África, onde conheceu crianças criativas, intelectuais e sedentas de oportunidade. Seu plano para realizar esse desejo é ampliar pelo continente uma iniciativa que oferece educação superior em carreiras científicas para estudantes africanos. Alguns deles contam suas experiências no vídeo, que tem 24 minutos. Turok palestra em inglês, mas é possível ativar a legenda em português nas configurações.

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3. Rock do Mali: Tamikrest [vídeo]

Os tuareg são um povo originário do Mali, um dos países mais pobres e arrasados por golpes de estado e conflitos armados da África. Nômade, a população tuareg está espalhada também por Argélia, Líbia, Níger e Burkina Faso. Com o estabelecimento de fronteiras internacionais na África, em detrimento das comunidades locais, esse povo já reivindicou um estado próprio, mas ainda hoje se vê submetido a interesses políticos e econômicos externos, intervenções militares e à lei islâmica da sharia, contexto que levou muitos ao exílio.

Tamikrest é uma banda de rock e blues que mistura elementos de reggae, funk e expressões do noroeste da África. Junto com a experimentação musical, o premiado grupo entrega ao público a história de resistência de seu povo, inclusive por cantar em tamashek, sua língua materna. Neste 2017, o Tamikrest lançou o quinto álbum, que leva o nome da cidade dos músicos, Kidal, um dos principais redutos da cultura tuareg. Tudo é explicado em textos completos no site do grupo (em inglês). Imagine começar uma aula sobre a África Ocidental com esse som e construir com os estudantes uma lista de movimentos musicais de resistência pelo mundo. Em português, há uma canção do brasileiro Jorge Ben Jor que leva o nome do povo tuareg e também pode ser encontrada na voz de Gal Costa.

4. Kalah: uma versão de jogos de tabuleiro [jogo online]

Mancala é uma família antiga de jogos de tabuleiro que tem registros arqueológicos encontrados entre a África e a Península Arábica datados desde pelo menos 1400 a.C. Os jogos, que se espalharam pelo continente africano e chegaram à América com os escravos, contam com muitas variações e são apropriados para apresentar conceitos de matemática e lógica a crianças. Na falta de um tabuleiro, é possível jogá-los com sementes e pequenos buracos na areia, ou online, no site play-mancala.com, que conta com um tutorial (em inglês) de como funciona o Kalah, a vertente da Mancala que baseia o aplicativo.

5. Geo Quiz: África [aplicativo]

Muitas referências à África ainda são feitas equivocadamente como se o continente se tratasse de um único país ou um bloco homogêneo. Este aplicativo trabalha as localizações dos vários países com desafios sobre as regiões africanas em gráficos coloridos. O quiz é gratuito, conta com tradução para o português e roda em qualquer tipo de dispositivo móvel.