Sala de Aula. ONU tem proposta de currículo para igualdade de gênero

Com planos de aula interdisciplinares para o ensino médio, material online pode apoiar o trabalho das escolas

Por Camila Ploennes

Apoiar docentes em atividades sobre gênero, raça e etnia nas escolas. Esta é a proposta do “Currículo Educativo O Valente não é Violento”, desenvolvido pela ONU Mulheres. Pensado de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, o material é uma trilha interdisciplinar que abrange debates, criação de vídeos, atividade física e escrita para trabalhar os temas de igualdade de gênero com os jovens.

Fruto da campanha “UNA-SE Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”, que tem como premissa envolver meninos e homens nessa causa, o currículo foi apresentado à rede pública do Rio Grande do Sul pela ONU Mulheres Brasil no mês de março e está disponível online, na íntegra, para ser utilizado em qualquer escola.

Nos links abaixo, é possível encontrar o conteúdo completo do currículo dividido em seis assuntos. Cada plano temático contém atividades já organizadas para aulas de 50 minutos.

Currículo: apresentação da proposta de currículo para o respeito às diversidades de gênero, sexual e étnico-racial elaborada para o contexto do ensino médio no Brasil.

Plano de aula 1: as dinâmicas propostas no material “Sexo, gênero e poder” discutem os conceitos de sexo, sexualidade e construção social dos gêneros e sua relação com o cotidiano, enfatizam a responsabilidade dos homens no fim da violência contra mulheres e meninas e identificam os tipos de violência descritos na Lei Maria da Penha (3 atividades para 4 aulas de 50 minutos cada).

Plano de aula 2: o documento “Violências e suas interfaces” apresenta atividades para esclarecer como a violência dos homens está relacionada aos processos de socialização e não à sua natureza. Trata ainda de como abordar as formas de violência a partir de situações do universo dos jovens e de como compreender criticamente manifestações da violência virtual, na escola e contra as mulheres, incluindo violências simbólicas do cotidiano e sexismos nas letras musicais. Uma das atividades propõe a criação de vídeos (3 atividades para 4 aulas de 50 minutos cada).

Plano de aula 3: as atividades do plano “Estereótipos de gênero e esportes” falam da igualdade de oportunidades para mulheres e homens no esporte profissional ou amador. As aulas mapeiam o que estudantes consideram igualdade de gênero nos esportes, incentivam ações inclusivas e igualitárias ao promover um jogo de basquete com equipes mistas e destacam a importância da Educação Física para a prática da igualdade entre os gêneros e a desconstrução de mitos e estereótipos que ainda existem. Na última parte as turmas elaboram um jornal mural (3 atividades para 4 aulas de 50 minutos cada).

Plano de aula 4: módulo com mais foco em análises de discursos, “Estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia” problematiza as narrativas dos meios de comunicação de massa brasileiros sobre as mulheres e a população negra, bem como os impactos negativos que podem provocar nas vidas dessas pessoas. As atividades dão subsídios para ampliar o repertório sobre gênero, masculinidades e feminilidades, criticar os estereótipos e identificar situações de racismo nesses meios (3 atividades para 3 aulas de 50 minutos cada).

Plano de aula 5: as aulas pensadas para “Estereótipos de gênero, carreiras e profissões: diferenças e desigualdades” buscam a reflexão sobre o significado do trabalho na vida de mulheres e homens, a percepção do trabalho doméstico como trabalho produtivo, a tomada de consciência sobre a ainda presente desvalorização social e econômica do trabalho feminino e a elaboração de estratégias para mudar a situação de desigualdade de oportunidades, como as carreiras que privilegiam a figura masculina a partir de uma ideologia de divisão do trabalho calcada em condições biológicas (3 atividades para 3 aulas de 50 minutos cada).

Plano de aula 6: o tema “Vulnerabilidades e prevenção” é abordado em discussões sobre as responsabilidades de mulheres e homens na decisão sobre gravidez, reforçando a ideia de que jovens do sexo masculino se vejam como corresponsáveis por métodos contraceptivos e pelos filhos. A prevenção de violências nos relacionamentos e o incentivo à denúncia de situações de violência também são trabalhados com dinâmicas e exibição de vídeos (5 atividades para 7 aulas de 50 minutos cada).

Inventário: experiências de educação para igualdade de gênero e o marco legal e político do projeto.

Foto: Pixabay