Conferência mostra tendências mais fortes da tecnologia educacional

O especialista em tecnologia educacional Jason Ohler elegeu BigData, realidade Virtual e Web semântica como as forças que estão moldando a educação básica no presente

Todos os anos, milhares de educadores reúnem-se em algum lugar dos Estados Unidos para descobrir novas formas de usar tecnologia na escola. Em busca de comprovações ou já convictos de que a tecnologia na sala de aula pode tornar o aprendizado mais relevante, engajador e divertido para seus alunos, eles assistem palestras, discutem e participam de workshops. Além disso, conhecem e testam os produtos mais novos do mercado edtech, mergulhando fundo no universo da tecnologia educacional para se abastecer de ideias, experiências e recursos capazes de transformar a vida de jovens e crianças.

O ISTE 2016 aconteceu em Denver, Colorado, e cerca de 20 mil pessoas estiveram reunidas de 26 a 29 de junho no evento promovido pela International Society for Technology in Education, uma organização sem fins lucrativos que há décadas promove o uso da tecnologia na educação para preparar estudantes e professores para o mundo digital e conectado. Não surpreende que o evento seja talvez o mais importante do setor e reúna uma multidão de educadores visivelmente apaixonados, gestores, pesquisadores e profissionais envolvidos em políticas públicas e edtechs. Durante quatro dias, eles circularam incansavelmente pelo centro de convenções para assistir cerca de mil palestras e conhecer produtos de 500 expositores, fazendo do ISTE 2016 novamente um palco de discussões mais que relevantes para o século 21. Especialmente para aqueles que preparam estudantes para uma sociedade cada vez mais complexa, conectada e imprevisível.

O físico teórico e futurista da City College de Nova York Michio Kaku fez a palestra de abertura e transportou a plateia do imenso auditório para um mundo que se avizinha e  no qual a tecnologia terá transformado cada aspecto da nossa vida e da sociedade. O autor de Future of the mind mostrou cenários em que teremos todos de interagir com informação digitalizada e máquinas cada vez mais inteligentes. A fala e as reflexões de Kaku são uma provocação deliciosa. E apontam para desafios na educação que já sentimos, mesmo ainda distantes deste mundo em que a informação estará acessível  nas nossas lentes de contato.

Entre eles, a inserção de tecnologia no cotidiano da escola. Apesar de ganhar cada vez mais espaço no mundo todo, o tema continua sendo um desafio também nos Estados Unidos. Empresas como a BrightBytes, por exemplo, apresentaram soluções (premiadas) para ajudar escolas a equilibrar seus objetivos tecnológicos e pedagógicos com as responsabilidades envolvendo privacidade e segurança. Já a Modern Teacher, que fornece apoio na transição das salas de aulas tradicionais para os ambientes modernos de aprendizado, mostrou que seu foco está centrado no que chama de “convergência digital”, oferecendo suporte especializado para escolas e distritos americanos que introduzem ferramentas digitais no ensino básico.

Além de iniciativas como estas, o cuidado com material de apoio para o professor comprova que as escolas e educadores que se lançam nesta convergência, indiscutivelmente inevitável, terão suporte crescente. E interlocução. Dos maiores players neste mercado às start-ups e às comunidades virtuais, um mundo efervescente se movimenta e desenvolve projetos e produtos visando ajudar professores a formar jovens com pensamento crítico, aptos a trabalhar colaborativamente, a resolver problemas e a se comunicar, habilidades cada vez mais requisitadas. Um mundo que incentiva a troca de experiências, o aprendizado com pares e a mobilização a partir de desafios concretos em ambientes os mais diversos.

Destaque importante entre os expositores foram as soluções e iniciativas com STEM para a educação básica.
Despertar o interesse de estudantes (com atenção especial para as meninas) para a ciência, a tecnologia, a engenharia e a matemática (e também artes, quando a sigla vira STEAM, em inglês), e desenvolvam sua criatividade e habilidade para identificar e resolver problemas que cada vez mais carecem de um olhar interdisciplinar é uma preocupação não só da indústria, mas de governo hoje nos Estados Unidos.

Entre propostas de espaço maker e empresas trabalhando com impressoras 3D, programação, prototipagem e robótica, Ayah Abdeir, que também estava na lista de expositores com seus littlebits,  fez uma apresentação nas Edtek Talks. A jovem engenheira que cresceu no Líbano antes de fazer especialização no MIT Media Lab(Massachussets Institute of Technology) falou sobre sua cruzada contra o analfabetismo tecnológico. Determinada a ajudar a “despertar o inventor em cada um”, tornando a inovação e a educação mais acessível no mundo, Ayah desenvolveu módulos eletrônicos, motores, sensores e leds que rapidamente ganham vida e funções diversas quando encaixados. E ensinam muito sobre circuitos, automação e robótica, provocando em crianças e jovens (e também em adultos!) um encantamento pelo “fazer”.

Ainda no tema encantamento e de tendências cada vez mais fortes, vale ressaltar as propostas com realidade virtual e realidade aumentada. No estande do Google, por exemplo, óculos de realidade virtual foram objetos concorridos. O tempo todo, via-se ali pessoas maravilhadas “passeando” nas Expeditions por museus e lugares distantes de Denver na tela de um smartphone acoplado aos óculos. O programa agora tem um aplicativo disponível para download em dispositivos android.

Impossível não sair da ISTE provocado, entusiasmado, abastecido e louco para voltar. Para aqueles que não puderem ir a San Antonio, Texas, em junho de 2017, um recado: o Smartlab – que ao que parece não tem equivalentes nem no mercado americano –  estará lá para ver a transformação tão promissora que de fato está acontecendo na educação. E para trazer as propostas e tendências mais relevantes para o Brasil.

DESTAQUES PARA:

STEM como prioridade
Science, technology, engineering and math
: No ano passado, ao colocar como meta o aumento do número de estudantes e professores proficientes nestas áreas vitais, o presidente Barack Obama enfatizou: “A ciência é mais que uma matéria do currículo, ou a tabela periódica. É uma abordagem do mundo, uma forma crítica de entender, explorar e se relacionar com o mundo, para então ter a capacidade de mudar o mundo”.

O selo valioso
Muitos dos expositores da ISTE 2016 ostentavam um quadrinho em destaque mostrando terem indicação do Common Sense Media(CSM) entre os “Top picks for learning”. Parceiro do Smartlab, o CSM analisa e resenha aplicativos, plataformas e conteúdos educativos.

A pequena heroína
Marley Dias esteve nas Edtek Talks contando como, aos 11 anos, cansou de ler livros em que os personagens principais eram sempre “meninos brancos e seus cachorros”. A garota deflagou o movimento 1000 Black Girl books, cujo objetivo é fazer crianças negras ganharem mais espaço na literatura.

Ana Ferrari, responsável  pelo núcleo pedagógico do SmartLab.