A educação moderna é tecnológica e conectada!

Nos primórdios da educação da era industrial, quando estávamos parando de educar nossos filhos somente em nossas casas e estávamos colocando-os, todos juntos, em uma sala de aula para aprenderem em série e com ganhos de escala, um grupo de educadores renomados discutia vigorosamente a respeito da adoção de uma determinada tecnologia na escola.

A conclusão que chegaram é que a inserção de tal tecnologia nas escolas poderia trazer consequências negativas enormes para o processo de aprendizagem. Você sabe qual era a tecnologia que discutiam? O quadro-negro!

Essa história ilustra bem o debate que terminou no final da década passada a respeito do uso ou não uso da tecnologia no processo de aprendizagem. Agora, em uma sociedade que caminha na direção da super conectividade e da vida digital, o debate gira em torno de como usar as novas tecnologias e os novos métodos (potencializados por estas tecnologias) de forma que a educação seja mais efetiva e mais prazerosa para todos os envolvidos: seja para alunos, seja também para professores, pais e gestores.

Estamos vivendo um novo momento, a era pós-industrial, caracterizado pelo rápido crescimento do setor de serviços, em oposição ao manufaturado, o rápido aumento do uso das tecnologias da informação e da comunicação (TIC) e com o ‘conhecimento’ e a ‘criatividade’ ganhando status de matérias cruciais para alavancar a economia. Com mudanças inquestionáveis na sociedade, a escola parece ter se envolvido na adoção de tecnologias educacionais de forma exageradamente cautelosa, mas não por acaso.

Os tomadores de decisão da escola tinham que equacionar o investimento financeiro, que era razoavelmente alto e impreciso, e o cuidado necessário com a transformação do processo de ensino-aprendizagem, que não poderia, de forma alguma, ser negligenciado. Agora, com o aprendizado de três décadas e mudanças ainda maiores e mais rápidas da sociedade, parece ser consenso que um salto é necessário para que a escola possa acompanhar minimamente a evolução da sociedade como um todo.

Neste novo cenário, a maioria das escolas está mais receptiva para o uso de tecnologia no processo de aprendizagem. Há um consenso: a educação moderna é tecnológica e conectada!

Com a entrada das tecnologias digitais no espaço de aprendizagem e da sala de aula, os alunos e professores puderam acrescentar novas experiências e, com isso, o desempenho mostrou sinais de melhora. Ainda que esse movimento de mudança esteja no início, o que, sem dúvidas, melhorou, foi a atratividade do processo de aprendizagem. Alunos unanimemente e professores, nem tão unanimemente assim, celebram a chegada das tecnologias que muitos deles já estavam usando cotidianamente em outros ambientes.

Em plena era do conhecimento, muitas instituições educacionais ainda enfrentam desafios para alavancar o uso eficiente da tecnologia. Isso ocorre em decorrência do paradigma educacional no qual a escola está vivendo. Segundo o The Boston Consulting Group, existem quatro paradigmas a se considerar: Educação Tradicional, Educação com TIC, E-learning e Smart Education.

A incorporação efetiva da tecnologia na prática pedagógica, movendo na direção do Smart Education, é vital para garantir que as ferramentas façam diferença no padrão da qualidade educacional da escola e para que uma mudança consistente e segura aconteça. A tecnologia não pode mais ser um adendo, uma opção que é alçada ou não.

O uso efetivo e cotidiano das tecnologias se torna cada vez mais crucial para que escolas se alinhem ao padrão de vida que toda a sociedade está vivendo: smart, moderno, digital e conectado. Isso é fundamental para a formação da atual geração que está na sala de aula e muito mais importante ainda para as gerações que virão.

As escolas precisam, portanto, acelerar o entendimento e a adoção destes novos paradigmas tecnológicos educacionais.


Robson Lisboa, mestre em Educação e Tecnologia e um dos idealizadores
do projeto educacional tecnológico SmartLab.